
Belém sediou, nesta quinta-feira (2), durante a II Semana do Clima da Amazônia, o lançamento da primeira chamada do Programa Desafios da Amazônia, iniciativa da Amazônia+10 em parceria com o Fundo Amazônia e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). Com investimento de R$ 102 milhões, a chamada pública vai apoiar projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) voltados à criação de soluções para desafios concretos das cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica, fortalecendo a produção científica conectada aos territórios e o desenvolvimento sustentável da região.
O lançamento ocorreu na Arena do Parque da Bioeconomia e reuniu representantes do Governo do Pará, da comunidade científica e das instituições responsáveis pela iniciativa. Participaram do painel a secretária-adjunta de Bioeconomia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Camille Bemerguy; o presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Confap, Marcel Botelho; a gerente do Fundo Amazônia/BNDES, Thaíssa Ferreira; e a professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA) e representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Edna Castro. A apresentação técnica da chamada foi conduzida por João Arthur Reis e Rafael Andery, da Iniciativa Amazônia+10.
A chamada representa a primeira etapa do Programa Desafios da Amazônia, que contará com R$ 150 milhões em investimentos do Fundo Amazônia para fomentar pesquisa, inovação e o fortalecimento de instituições científicas e organizações socioprodutivas da região. Nesta primeira fase, serão destinados R$ 72 milhões do Fundo Amazônia e R$ 30 milhões em contrapartidas das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) participantes. Os projetos selecionados poderão receber entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões, com execução prevista de até 36 meses.
Ciência e inovação para fortalecer a bioeconomia
A secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, destacou que o programa reforça a estratégia do Governo do Pará de integrar ciência, inovação e desenvolvimento sustentável, valorizando as potencialidades dos territórios amazônicos. "O futuro da bioeconomia passa pelo fortalecimento da ciência produzida na Amazônia e pelo reconhecimento dos conhecimentos construídos nos territórios. Essa iniciativa cria as condições para que pesquisadores, comunidades e instituições desenvolvam juntos soluções inovadoras capazes de gerar desenvolvimento, manter a floresta em pé e melhorar a qualidade de vida da população amazônica."
O presidente da Fapespa e do Confap, Marcel Botelho, ressaltou que o programa consolida um novo modelo de produção científica voltado às especificidades da Amazônia. "O Desafios da Amazônia está integrado a um ecossistema de soluções para a região. Precisamos desenvolver respostas baseadas na ciência, na tecnologia e na inovação, construídas junto às universidades, institutos de pesquisa, comunidades e conhecimentos tradicionais. A Amazônia é única e precisa de soluções forjadas aqui."
Segundo Marcel Botelho, a iniciativa também fortalece o protagonismo científico da região. "A Amazônia não é um vazio científico. Temos instituições e pesquisadores altamente qualificados. O que queremos é ampliar essas parcerias, garantindo que a pesquisa seja conduzida a partir das prioridades da própria região e com protagonismo dos pesquisadores amazônicos."
Soluções construídas com os territórios
Durante a apresentação técnica da chamada, o diretor de Programas da Iniciativa Amazônia+10, João Arthur Reis, explicou que um dos diferenciais do programa é aproximar a produção científica das demandas reais das comunidades amazônicas. "Os projetos precisam ser construídos em conjunto entre instituições de pesquisa e organizações do território, como cooperativas e associações comunitárias. Não se trata de uma pesquisa guiada apenas pela curiosidade científica, mas de inovação voltada para resolver desafios concretos da sociobioeconomia amazônica."
Ele destacou ainda que a cooperação entre os estados da Amazônia Legal amplia a capacidade de desenvolver soluções com impacto regional. "Essa articulação está no coração da Amazônia+10. Os projetos são liderados por pesquisadores da Amazônia e fortalecem redes de pesquisa capazes de levar soluções desenvolvidas aqui para o restante do Brasil e também para o mundo."
Representando a comunidade científica, a professora emérita da UFPA, Edna Castro, enfatizou que ampliar o financiamento da pesquisa é fundamental para reduzir desigualdades regionais. "A Amazônia possui uma longa tradição de pesquisa e instituições consolidadas, mas ainda enfrenta grandes desigualdades na distribuição dos recursos destinados à ciência e tecnologia. É fundamental ampliar a capacidade instalada da região para transformar conhecimento em políticas públicas e soluções efetivas para os desafios amazônicos."
A gerente do Fundo Amazônia/BNDES, Thaíssa Ferreira, destacou a importância do financiamento da pesquisa como instrumento para impulsionar a bioeconomia e estimular soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Ao detalhar os critérios da chamada, Rafael Andery, da Iniciativa Amazônia+10, apresentou as cadeias produtivas contempladas, o cronograma e as regras de participação, reforçando que a proposta busca estruturar redes robustas de pesquisa e inovação com forte participação das instituições amazônicas.
Projetos voltados aos desafios da sociobioeconomia
A chamada pública financiará entre nove e doze projetos voltados ao enfrentamento de desafios estratégicos das cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica. A proposta é estimular a atuação conjunta entre universidades, institutos de pesquisa, cooperativas, associações comunitárias e organizações dos territórios, promovendo soluções capazes de agregar valor à produção, ampliar a sustentabilidade econômica e fortalecer a conservação da floresta.
O Programa Desafios da Amazônia integra os esforços para consolidar a Amazônia como protagonista na produção de conhecimento, inovação e bioeconomia, alinhando pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e valorização dos saberes tradicionais em benefício das populações da região.
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