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SP lança guia para prática de observação de aves da Mata Atlântica

Setur-SP apresenta regiões cobertas pela floresta tropical para encontrar aves a partir do Guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestre de São ...

27/05/2026 às 13h25
Por: Rodrigo Moraes Fonte: Secom SP
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Praias do Centro, Guaraú, Guarauzinho, Costão, Caramborê, Prainha e Barra do Una, em Peruíbe (foto: Ken Chu)
Praias do Centro, Guaraú, Guarauzinho, Costão, Caramborê, Prainha e Barra do Una, em Peruíbe (foto: Ken Chu)

A Mata Atlântica, em pleno território paulista, reserva para os olhares atentos dos observadores de pássaros e de outros animais silvestres o encontro com a natureza bruta daquela que foi um dia chamada de “Floresta Mãe”. Para completar o roteiro de turismo de natureza, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou o Guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestr e, em sua segunda edição, na qual a Mata Atlântica se mostra em sua totalidade, pronta para as lentes e câmeras dos turistas atentos que estiverem nas cidades da Baixada Santista.

Tal como um dia fez o padre José de Anchieta, que escreveu em maio de 1560, nos idiomas Latim e Espanhol, um relatório detalhado sobre a Mata Atlântica chamado “Carta de São Vicente”, onde ele descreve em detalhes a fauna, a flora, o clima e suas geografias humana e física, os turistas de hoje percorrem trajetos similares, em busca de experiências em meio à natureza. Para dar asas à observação atenta e às clicadas dos curiosos e aficionados.

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Costa da Mata Atlântica

A Região Turística (RT) Costa da Mata Atlântica é um dos habitats mais cobiçados do Brasil para quem pratica o birdwatching. Espécies endêmicas e migratórias podem ser avistadas em recantos das cidades da Baixada Santista componentes da RT como Santos, São Vicente, Praia Grande, Peruíbe, Mongaguá, Itanhaém, Bertioga ou Guarujá.

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Há muita variedade de animais alados num espaço que abrange restingas, estuários, mangues com passarelas ecológicas, trilhas no Parque Estadual da Serra do Mar, com seus núcleos Ututinga-Pilões e Curucutu e áreas de proteção ambiental. Os pássaros mais vistos na região são o tiê-sangue, o gavião-pombo-pequeno, o raríssimo formigueiro-do-litoral, o tangará e o guará-vermelho.

Praia Grande

Após a Ponte do Mar Pequeno, na entrada de Praia Grande (a 77,6 km da capital), encontra-se a área aberta de manguezal conhecida como Portinho, o Parque Ézio Dall’Acqua, em que já foram catalogadas 165 espécies de aves, entre migratórias e residentes.

As melhores épocas para observação dos pássaros são o outono, o inverno e a primavera, a uma distância de 10 km, num percurso que dura de 2 a 3 horas. No local, merecem destaque espécies ameaçadas como a saíra-sapucaia e o exuberante guará, além de aves como saíra-de-sete-cores, o araçari-banana, a saracura-matraca e o jaó-do-sul.

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Peruíbe

O bairro do Guaraú fica a 8 km do centro de Peruíbe, é circundado pela Estação Ecológica Juréia-Itatins (que chega até Iguape), sendo coberto por uma área de densa Mata Atlântica, além de manguezais, restingas, trilhas e cachoeiras, além de uma praia paradisíaca. Aves costeiras e que habitam áreas úmidas e estuários são encontradas no Guaraú, como a saíra-sete-cores, a saracura matraca, o araçari-banana, o jaó-do-sul e a saíra-sapucaia. A melhor época do ano para observação de aves em Peruíbe é de março a novembro.

Também é de março a novembro, na região da praia de Taninguá, em Peruíbe, o período de avistamento de espécies de aves como o piru-piru, o maçarico-de-papo-vermelho, o batuiruçu, a batuíra-de-bando e o maçarico-branco. A região é uma das mais importantes áreas de descanso e migração das aves de áreas úmidas, onde centenas delas passam pelo local em rota de migração. Peruíbe está localizada a 651 km de São Paulo.

Parque Morro do Ouro

Composto por vegetação exuberante e de relevo acidentado, o Parque Natural Municipal Morro do Ouro, em Apiaí, é uma unidade de conservação fundamental para a preservação do bioma Mata Atlântica. O parque é habitat para uma fauna variada, com suas partes baixas (a trilha da Biquinha) e o mirante, a 1.080 m de altitude, que proporcionam nichos de observação de aves de encosta e de mata preservada. Espécies como o gavião-de-penacho, o tangará-da-serra e o sabiá-una são as principais encontradas no Morro do Ouro. Melhor época do ano para observação das aves, na região é o mês de setembro.

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Parque Carlos Botelho

Cerca de 330 espécies de aves, animais que representam quase 20% da fauna alada brasileira, estão abrigadas no Parque Estadual Carlos Botelho, um santuário localizado em plena Mata Atlântica a 206 km de São Paulo. Para os amantes de birdwatching, a região conta com uma rota de observação de aves em pleno Núcleo São Miguel Arcanjo, com trilhas e roteiros específicos que passam entre bosques de araucárias e áreas de regeneração da Mata Atlântica até as margens de uma represa, onde se podem contemplar os pássaros. Trajetos de dificuldade baixa, numa extensão de 2 km entre ida e volta.

Mata Atlântica inspirou primeiros relatos sobre fauna brasileira

Em fins de maio de 1560, o padre José de Anchieta, aos 26 anos, termina o seu relatório sobre os mais variados detalhes da Mata Atlântica, redigido em Latim e Espanhol e que ficou conhecido como a “Carta de São Vicente”. Fauna, flora, clima, geografias física e humana são temas do relatório, entre os tantos que eram enviados aos superiores jesuítas, na Europa. Para facilitar a compreensão, Anchieta tecia comparativos entre o que havia na América e no continente europeu, à época.

Anchieta escreveu sobre as aves que avistou e tecia comparações com aves europeias para que seus leitores imaginassem o universo vivo da Mata Atlântica, que ficou conhecida como Floresta Mãe. Observando a plumagem, o voo e a anatomia desses animais, o padre chegou a dizer sobre o conjunto de fauna alada da Mata Atlântica que “em verdade, não é fácil dizer quanta diversidade há de aves ornadas de várias cores”. Sobre os beija-flores, na forma como são denominados pelos indígenas que “há ainda outros passarinhos, chamados guainumbi, os mais pequenos de todos; alimentam-se só de orvalho (…)”

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