
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) adotou um discurso de forte enfrentamento ao crime organizado durante o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band na noite deste domingo (23).
Ao apresentar suas propostas para a segurança pública, Renan prometeu endurecer a atuação do Estado contra as facções criminosas e afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende “passar a rapa” nas organizações que atuam no país.
Um dos principais pontos defendidos pelo candidato foi a retomada de territórios onde o crime organizado exerce influência ou controle. Para Renan, o governo federal precisa assumir maior protagonismo para restabelecer a presença do Estado nessas regiões.
O candidato apresentou medidas como decretação de Estado de Defesa, utilização de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), maior integração das forças de segurança e construção de “superpresídios” destinados a integrantes de organizações criminosas.
Intervenção federal na Bahia e no Ceará
Renan foi além e citou diretamente Bahia e Ceará ao tratar da relação entre o governo federal e os estados no combate às facções.
Segundo o candidato, caso Elmano de Freitas (PT), no Ceará, e Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, sejam reeleitos e seus governos não cooperem com a estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado, uma eventual administração comandada por ele poderá decretar intervenção federal.
“Se os governadores do Ceará e da Bahia forem reeleitos, eu vou fazer uma intervenção caso eles não desejem enfrentar o crime organizado. Essa será a guerra”, declarou Renan durante o debate.
A declaração reforça um posicionamento que o presidenciável já vinha apresentando durante a campanha. Antes mesmo do debate, Renan havia citado Bahia, Ceará e Rio de Janeiro entre os estados onde poderia recorrer ao instrumento caso considerasse insuficiente a atuação dos governos locais contra organizações criminosas.
“Retomar o território brasileiro”
O discurso apresentado na Band coloca o combate às facções entre as principais bandeiras da campanha de Renan Santos.
Na visão defendida pelo candidato, regiões submetidas ao domínio de organizações criminosas representam uma perda de controle territorial por parte do poder público. Sua proposta é ampliar a atuação federal, integrar forças policiais e utilizar instrumentos constitucionais para recuperar essas áreas.
Renan também defendeu a criação de grandes unidades prisionais e o fim da separação dos presos de acordo com a facção à qual pertencem, argumentando que o sistema penitenciário não pode contribuir para a manutenção da estrutura das organizações criminosas.
Com um dos discursos mais duros sobre segurança pública apresentados no debate, Renan Santos colocou no centro da disputa presidencial uma discussão que promete gerar repercussão: até onde o governo federal pode avançar sobre os estados no enfrentamento ao crime organizado e quais seriam os limites constitucionais para uma eventual intervenção federal.
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