
A violência contra a mulher pode acontecer de diferentes formas e, muitas vezes, começa com comportamentos que são naturalizados dentro das relações. Para contribuir com a prevenção e o enfrentamento desse problema, a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), destaca o trabalho do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) na orientação, no acolhimento e no acompanhamento de mulheres que vivenciam situações de violência.
Para o prefeito Léo Moraes, ampliar o acesso à informação e aos serviços de proteção é fundamental para que as mulheres consigam identificar situações de violência e buscar ajuda.
“Precisamos falar sobre todas as formas de violência contra a mulher e deixar claro que nenhuma delas deve ser naturalizada. Informação, acolhimento e uma rede preparada para atender são fundamentais para que as mulheres tenham segurança para romper ciclos de violência e reconstruir suas vidas com dignidade e autonomia”, afirmou o prefeito.
Reconhecer os diferentes tipos de violência é um passo importante para identificar situações de abuso e procurar ajuda. A violência não precisa deixar marcas visíveis no corpo para ser grave. Ameaças, humilhações, controle, perseguição, constrangimentos e retenção de recursos também podem configurar violência e comprometer a liberdade, a segurança e a autonomia da mulher.

A violência física é aquela que atinge a integridade ou a saúde corporal da mulher. Empurrões, tapas, socos, chutes, queimaduras, estrangulamento e outras agressões são exemplos. Não é preciso esperar que a violência física aconteça para buscar ajuda. Outras formas de violência também precisam ser reconhecidas e podem indicar uma situação de risco que exige atenção e proteção.
A violência psicológica também exige atenção. Ela pode ocorrer por meio de ameaças, chantagens, humilhações, insultos, manipulação, isolamento de familiares e amigos, controle sobre roupas, amizades, deslocamentos ou redes sociais, além de comportamentos que provoquem medo, constrangimento ou sofrimento emocional. Muitas vezes, esse tipo de violência é gradual e acaba sendo confundido com ciúme, preocupação ou cuidado.
A violência sexual ocorre quando a mulher é constrangida a presenciar, manter ou participar de relação ou prática sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Também envolve situações em que a mulher é impedida de utilizar método contraceptivo ou é obrigada a engravidar, abortar ou utilizar determinado método de contracepção contra sua vontade.
A violência patrimonial ocorre quando há retenção, subtração, destruição ou controle de bens, documentos, dinheiro, instrumentos de trabalho ou outros recursos econômicos da mulher. Impedir que ela tenha acesso ao próprio dinheiro, destruir seus documentos ou danificar objetos pessoais são exemplos de comportamentos que podem fazer parte desse tipo de violência.

A violência moral, por sua vez, envolve condutas que atingem a honra e a reputação da mulher, como calúnia, difamação e injúria. Ofensas, acusações falsas e exposição vexatória podem provocar consequências profundas e também constituem formas de violência.
Para o secretário municipal de Inclusão e Assistência Social, Paulo Afonso, reconhecer essas situações é fundamental para fortalecer a prevenção e garantir que as mulheres saibam onde buscar apoio.
“A violência contra a mulher não começa necessariamente com uma agressão física. Muitas vezes, ela começa pelo controle, pela humilhação, pela ameaça e pelo isolamento. Por isso, informação e acolhimento são fundamentais. O Cram está preparado para ouvir, orientar e encaminhar as mulheres para a rede de proteção.”
O Cram integra a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres e oferece atendimento especializado às mulheres em situação de violência. A mulher pode procurar o serviço para receber orientação e acolhimento mesmo que ainda não tenha registrado uma ocorrência policial ou não tenha decidido quais medidas pretende tomar. A equipe realiza escuta qualificada, identifica as necessidades de cada caso, orienta sobre direitos e serviços disponíveis e, quando necessário, realiza os encaminhamentos pertinentes.

Para a coordenadora do Cram, Sandra Braids, reconhecer a violência para além da agressão física também faz parte do processo de fortalecimento e proteção das mulheres.
“Muitas mulheres chegam ao Cram sem identificar como violência aquilo que estão vivendo. Às vezes, não houve agressão física, mas existe controle do dinheiro, isolamento, ameaça, humilhação, perseguição ou medo. Nosso trabalho também passa por ajudá-las a reconhecer essas situações, compreender seus direitos e construir, junto com a equipe, caminhos possíveis para romper esse ciclo com segurança.”
O atendimento é realizado de maneira individualizada e sem julgamentos, buscando fortalecer a segurança e a autonomia da mulher. Quando necessário, o Cram realiza encaminhamentos para outros serviços das áreas de assistência social, saúde, segurança pública e Justiça.
A Prefeitura de Porto Velho reforça que nenhuma forma de violência deve ser naturalizada. Identificar os sinais, conversar com pessoas de confiança e procurar os serviços especializados pode ser decisivo para interromper o ciclo da violência.

O Cram está localizado na Rua Geraldo Ferreira, nº 2166, bairro Agenor de Carvalho, em Porto Velho. O telefone para contato é (69) 98473-5966.
Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo190. Para orientação sobre direitos e serviços e para o registro e encaminhamento de denúncias de violência contra a mulher, também está disponível o Ligue 180, serviço nacional gratuito.
Informação protege. Reconhecer a violência é o primeiro passo para enfrentá-la. E nenhuma mulher precisa enfrentar essa situação sozinha.
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Texto: Adaides Batista
Edição:Secom
Fotos:Secom
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