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Para falar sobre a Amazônia, nos ouçam“: Daniel Nardin conta como nasceu o Amazônia Vox

Idealizador da plataforma compartilha histórias que inspiraram o Amazônia Vox e revela  como um documentário da Netflix reforçou a ideia de que a Amazônia precisa ser narrada por quem vive no território.

25/07/2026 às 23h23 Atualizada em 25/07/2026 às 23h28
Por: Redação
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Raphaela Aguiar
Raphaela Aguiar

Promover as vozes, os conhecimentos e as respostas produzidas na própria região para desconstruir estigmas históricos sobre a floresta. Esse é o propósito central do Amazônia Vox, plataforma independente que conecta jornalistas, pesquisadores e lideranças locais à imprensa nacional e internacional. O projeto e os bastidores de sua criação foram o tema central de uma conversa do jornalista Daniel Nardin ao Biodiversa Podcast, sob o comando das apresentadoras Nélia Ruffeil e Poliana Bentes.

Durante o bate-papo, Nardin detalhou como sua trajetória profissional — que inclui passagens pela gestão pública, liderança em redações e atuação no setor corporativo — resultou no desejo de transformar a narrativa sobre a Amazônia, especialmente em um momento de centralidade global devido às mudanças climáticas e à realização da COP30 em Belém.

“O Amazônia Vox é o projeto de uma vida. Ele não foi pensado apenas para a COP, embora o evento tenha impulsionado o tema. Ele surge da percepção de que precisamos substituir a palavra competição por colaboração no jornalismo e valorizar quem vive e produz conhecimento no território”, afirmou Daniel.

A decisão de criar a plataforma amadureceu durante a cobertura da COP27, no Egito, em 2022. Ao observar a baixa representatividade de profissionais do Norte em painéis e grupos de trabalho que debatiam o futuro do bioma, o jornalista identificou a urgência de uma mudança estrutural na cobertura midiática.

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Para além do jornalismo de denúncia, indispensável para o combate a crimes ambientais, o Amazônia Vox adota a metodologia do Jornalismo de Soluções, focando em ações locais que já enfrentam os desafios socioambientais da região.

“Quando você só mostra a Amazônia a partir do desmatamento e das queimadas, passa a ideia implícita de que quem está aqui não sabe cuidar da floresta. Queremos dar visibilidade às iniciativas que já dão respostas a esses desafios, explicando como elas funcionam para que possam ser replicadas e apoiadas”, explicou.

Uma das passagens mais curiosas da entrevista revela que a ideia do Amazônia Vox ganhou força após Daniel assistir ao documentário da Netflix Explorando o Desconhecido: A Pirâmide Perdida. O filme mostra arqueólogos egípcios defendendo que a história do Egito seja contada pelos próprios egípcios. Daí nasceu uma pergunta que se tornou central para o projeto: por que a Amazônia ainda é narrada, tantas vezes, por quem está de fora? E, principalmente, como mudar essa realidade?

A conversa reúne reflexões sobre jornalismo de soluções, representatividade e os desafios de comunicar a Amazônia. O episódio 6 da segunda temporada do Biodiversa Podcast já está disponível nas principais plataformas de streaming.

Confira: https://youtu.be/11NfL2kLnVo?is=3Vqn7OMRIA_qVbpO

Texto: Raphaela Aguiar

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