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Lifting facial endoscópico dispensa cicatriz visível
O deep plane face lifting endoscópico usa incisões escondidas no couro cabeludo para reposicionar os tecidos que caem com o envelhecimento. O otorrinolaringologista e cirurgião plástico facial Marco Aurélio Linhares explica por que a procura cresc...
25/08/2026 14h02
Por: Rodrigo Moraes Fonte: Agência Dino

O rejuvenescimento facial passa por uma mudança de abordagem entre os cirurgiões da face. Em vez de recorrer apenas a preenchimentos, cresce a procura por técnicas que reposicionam os tecidos que cedem com o passar dos anos. Um dos caminhos é o lift facial endoscópico, modalidade do deep plane face lift que utiliza incisões escondidas no couro cabeludo e dispensa cicatrizes visíveis. O procedimento tem atraído, sobretudo, mulheres entre 40 e 49 anos que percebem sinais de envelhecimento, mas ainda não apresentam excesso de pele.

O interesse por intervenções na face acompanha um movimento global. De acordo com um levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), foram realizados 737.028 liftings faciais em 2024 no mundo, alta de 7,4% em relação ao ano anterior e de 75,9% na comparação com 2020. No mesmo período, os preenchimentos com ácido hialurônico somaram 6,3 milhões de aplicações, avanço de 5,2%. O Brasil aparece como o segundo país em volume de procedimentos estéticos e o primeiro quando se consideram apenas as cirurgias, o que ajuda a explicar a familiaridade do público local com o tema.

Para o otorrinolaringologista e cirurgião plástico facial Marco Aurélio Linhares, que atua há mais de 25 anos na área, a maior procura por esse tipo de cirurgia tem explicação técnica. "O envelhecimento da face ocorre, principalmente, devido à queda dos tecidos, perda da sustentação; e não, simplesmente, por perda de volume. Os ligamentos que seguram a pele, a musculatura e a gordura no lugar vão afrouxando com o tempo, e isso começa a ser perceptível já a partir dos 30 anos", explica.

Essa distinção entre queda de tecido e perda de volume ajuda a entender por que boa parte dos pacientes que recorre ao preenchimento relata insatisfação. O procedimento adiciona volume em pontos específicos do rosto, mas não reposiciona o que já cedeu. Quando aplicado de forma isolada ou repetida ao longo do tempo, pode resultar em aspecto inchado ou artificial, sem devolver a sensação de rejuvenescimento pretendida pelo paciente.

Uma alternativa cirúrgica sem cicatriz visível

Para pacientes com flacidez leve a moderada e sem sobra significativa de pele, o lift facial deep plane endoscópico surge como opção cirúrgica. Diferentemente do lifting tradicional, que costuma trabalhar com camadas mais superficiais e remover pele, a técnica atua no plano profundo da face. Por meio de pequenas incisões na região temporal do couro cabeludo, o cirurgião acessa e libera os ligamentos que sustentam os tecidos, permitindo posicioná-los.

"A técnica permite suspender os tecidos do terço médio e inferior da face exatamente onde a queda aconteceu, sem necessidade de remoção de pele e sem deixar cicatriz visível, já que as incisões ficam escondidas no cabelo", descreve Linhares.

Por empregar instrumental endoscópico, que utiliza uma microcâmera para orientar o procedimento, a abordagem tende a reduzir o tempo de recuperação em comparação a técnicas mais extensas. A indicação, segundo o cirurgião, é específica: pacientes que já notam a queda e o peso da face, porém sem grande excesso de pele.

O médico reforça que a escolha da abordagem depende de diagnóstico individualizado, feito caso a caso, e não de uma solução única aplicável a todos os perfis.

Avaliação especializada é o primeiro passo

O especialista pondera que o resultado buscado nem sempre está ligado ao volume. "O rejuvenescimento real está ligado à reposição do tecido na posição em que ele estava, não apenas ao preenchimento de um espaço. Por isso, cada caso exige avaliação criteriosa sobre qual técnica realmente vai entregar o resultado que o paciente busca", afirma.

Diante do aumento de pacientes insatisfeitos com resultados de preenchimentos repetidos, a orientação é que a procura por procedimentos estéticos faciais seja precedida de avaliação com cirurgião plástico facial habilitado, capaz de diferenciar perda de volume de queda de tecido e indicar, a partir disso, a abordagem mais adequada, cirúrgica ou não, para cada situação.

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