O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, ampliou nesta semana as acusações contra o atual governo boliviano ao afirmar que estaria sendo alvo de uma suposta operação militar articulada com apoio dos Estados Unidos. As declarações foram publicadas em sequência de mensagens nas redes sociais do ex-mandatário e ocorrem em meio ao agravamento da crise política e social no país andino.
Segundo Morales, o governo boliviano teria recebido apoio da DEA, agência antidrogas norte-americana, e do Comando Sul dos Estados Unidos para executar uma operação destinada a “detê-lo ou matá-lo”. O ex-presidente acusa ainda integrantes das forças armadas e setores de inteligência de participarem da suposta articulação.
“EEUU ordenó al gobierno de Rodrigo Paz ejecutar una operación militar, con el apoyo de la DEA y el Comando Sur norteamericano, para detenerme o matarme”, escreveu Morales em uma das publicações.
Em outra mensagem, o ex-presidente citou unidades militares específicas que, segundo ele, estariam envolvidas na operação. Entre elas, o CITE, unidade militar de paraquedistas, além da Companhia de Inteligência do Exército Boliviano e integrantes do Regimento Ranger de Challapata.
Morales também mencionou o envio de militares ligados ao Batalhão Ingavi VII Sajama, incluindo coronéis, majores, capitães, tenentes e suboficiais. Segundo ele, os grupos teriam sido deslocados para atuar em regiões tropicais do país.
O ex-presidente ainda afirmou que militares bolivianos estariam “sob comando de marines norte-americanos e agentes da DEA paraguaios”, acusando o governo de promover perseguição política e campanhas de desinformação contra seus aliados.
As acusações acontecem em meio ao agravamento dos protestos e bloqueios em rodovias bolivianas, que já afetam o abastecimento de combustíveis, alimentos e insumos hospitalares em diferentes regiões do país. Os movimentos, organizados por indígenas, sindicatos, professores e grupos ligados a Morales, seguem em direção a La Paz pedindo mudanças políticas e a revogação de medidas adotadas pelo governo.
Nos últimos dias, setores governistas passaram a acusar Evo Morales de incentivar atos de violência e desestabilização política. Morales, por sua vez, nega participação em ações violentas e afirma sofrer perseguição política articulada por interesses internacionais.
Até o momento, o governo boliviano não apresentou resposta oficial detalhada sobre as acusações divulgadas pelo ex-presidente.
Texto: Emerson Barbosa - Jornalista