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Política O TABULEIRO VIRO

Escândalo Master muda de endereço: PT entra na mira e alivia pressão sobre Flávio Bolsonaro

Operação contra Jaques Wagner embaralha o tabuleiro político e abre espaço para a oposição devolver os ataques recebidos nos últimos meses.

21/06/2026 08h28
Por: Rodrigo Moraes
NELSON ALMEIDA / AFP/18-06-2026
NELSON ALMEIDA / AFP/18-06-2026

A operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), apontado como uma das principais lideranças do governo federal no Senado, provocou uma mudança de cenário para o senador Flávio Bolsonaro e seu grupo político.

Até então, aliados de Flávio avaliavam que o parlamentar vinha arcando praticamente sozinho com o desgaste provocado pelas investigações envolvendo o Banco Master, tema que passou a ser explorado por adversários políticos e que gerou impactos na sua estratégia de pré-campanha. A repercussão do caso obrigou o senador a responder sucessivas críticas e questionamentos, consumindo parte importante de sua agenda política.

Nos bastidores, interlocutores próximos afirmam que a nova fase das investigações muda o foco do debate público. A avaliação é de que o episódio deixa de atingir apenas figuras ligadas ao campo conservador e passa a alcançar diretamente integrantes da base governista, distribuindo o custo político da crise.

Após a operação, Flávio Bolsonaro voltou a defender publicamente a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar os fatos relacionados ao Banco Master. Em manifestação nas redes sociais, o senador argumentou que o caso não pode ser tratado como um problema isolado e que as investigações precisam alcançar todos os envolvidos, independentemente de filiação partidária.

Aliados entendem que o avanço das apurações pode fortalecer o discurso de que o escândalo possui dimensões mais amplas do que inicialmente se imaginava. A estratégia da campanha digital do senador passou a destacar a ligação entre os novos desdobramentos da operação e setores do governo federal, buscando transferir parte da pressão política para o PT.

Apesar do alívio momentâneo percebido por integrantes do grupo de Flávio, a avaliação interna é de cautela. O senador continua sendo uma das figuras mais expostas no debate sobre o Banco Master e deverá permanecer sob intenso escrutínio da opinião pública e dos adversários políticos.

Nos bastidores de Brasília, a percepção é que a crise entrou em uma nova etapa: em vez de concentrar desgaste em um único grupo político, os desdobramentos das investigações tendem a ampliar o alcance das consequências e elevar a temperatura do embate entre governo e oposição nos próximos meses.

Texto: Redação 

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