A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) realizou, de 16 a 18 de junho, o 1º Curso de Meliponicultura para o Fortalecimento da Cadeia Produtiva Local, voltado a agricultores e agricultoras familiares do Projeto de Assentamento (PA) Paulo Fonteles, no distrito de Mosqueiro, em Belém. A iniciativa integra as ações do Pró-Mel, vinculado ao Programa Regulariza Pará, e busca ampliar conhecimentos sobre manejo, produção e potencial econômico da atividade.
O curso contou com atividades teóricas e práticas sobre criação racional de abelhas sem ferrão, biologia das espécies, ecologia e polinização, instalação de meliponários, manejo e saúde das colônias, coleta e processamento de produtos, legislação, boas práticas, impactos dos agrotóxicos e mapeamento participativo, ministrados pelos analistas ambientais da Semas, Soraya Alves, José Rocha e Ernildo Serafim, e coordenado pelas analistas Fabíola Azevedo e Carla Lopes
A programação também incluiu atividade prática de meliponicultura e mapeamento participativo, em que os representantes das três Associações que compõem o assentamento, pudessem se reconhecer no território. No momento, houve a indicação de área com possibilidades e viabilidades ambientais para a instalação e funcionamento de meliponários, considerando a cobertura vegetal, presença de corpo hídrico perene, entre outras características propícias a criação de abelhas sem ferrão.
Segundo o secretário-adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, a capacitação reforça o papel do Estado no apoio a modelos produtivos sustentáveis, capazes de unir conservação ambiental, organização comunitária e geração de renda.
“A meliponicultura é uma atividade estratégica porque dialoga diretamente com a preservação da biodiversidade, com a segurança alimentar e com o fortalecimento da agricultura familiar. Ao levar esse curso ao assentamento Paulo Fonteles, a Semas contribui para que as comunidades tenham mais conhecimento técnico, mais autonomia produtiva e novas possibilidades de renda a partir do uso sustentável dos recursos naturais”, destacou Rodolpho Zahluth Bastos.
A diretora de Ordenamento, Educação e Descentralização da Gestão Ambiental da Semas, Carla Lopes, ressaltou que o curso também fortalece a educação ambiental e a construção coletiva de soluções produtivas no território.
“Esse processo formativo vai além da transmissão de conhecimento técnico. Ele envolve escuta, participação e reconhecimento do território. A partir do mapeamento participativo, os agricultores e agricultoras indicaram coletivamente uma área com potencial para, no futuro, receber estudos de viabilidade ambiental para instalação e funcionamento de meliponários. Isso mostra que a política pública se fortalece quando é construída junto com a comunidade”, afirmou Carla Lopes.
A capacitação contou, ainda, com as contribuições de especialistas na cadeia produtiva de mel, da Embrapa, por meio das experiências valorosas da Dra. Hannah Farinasso, bem como da Universidade Federal do Pará, Campus Castanhal, do Prof. Dr. Francisco Plácido Oliveira, que ampliaram o intercâmbio de conhecimento técnico com os participantes. A infraestrutura e a alimentação do curso tiveram apoio da Mineradora Artemyn e a participação de colaboradores da empresa.
Para Miguel Ricardo do Nascimento Filho, presidente da Associação dos Agricultores e Agricultoras Rurais Extrativistas do Assentamento Paulo Fonteles (AGREAPAF), a presença das instituições no território representa um avanço para os moradores.
“Para gente tem uma importância muito grande o assentamento ter essa visita, ter esses parceiros que vêm desenvolvendo algumas atividades dentro do Estado, e agora dentro do assentamento Paulo Fonteles”, afirmou.
A presidenta da Associação dos Produtores Rurais do Projeto de Assentamento Paulo Fonteles (APRAPAF), Neuziane Duarte do Nascimento, também destacou a relevância da formação para a comunidade.
“Estou muito agradecida pela oportunidade desse curso aqui para a nossa comunidade, que ajuda muito nos nossos projetos de melhoria do meio ambiente”, disse.
A representante da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Pará (AGRIMFAT), Maria Oscarina Silva da Silva, fez o relato.
"Que os projetos venham para quem mais precisam, ao produtor rural, comunidades tradicionais, que necessitam tá dentro dos territórios acessando esse conhecimento para melhorar a sua produção, sua vida e sua condição financeira", expressou a agricultora.
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