A gestão do prefeito Flori Cordeiro de Miranda Júnior, conhecido como Delegado Flori, enfrenta questionamentos relacionados à condução de contratos e procedimentos na área da saúde em Vilhena. No centro das discussões está a contratação de uma carreta de ressonância magnética que teria sido trazida de São Paulo para atender a demanda reprimida por exames no município.
A iniciativa, anunciada como alternativa para reduzir filas de pacientes, passou a ser alvo de cobranças por maior transparência após surgirem dúvidas sobre a formalização da contratação, os custos da operação e os critérios utilizados para a execução dos serviços.
Segundo relatos de profissionais envolvidos na prestação dos atendimentos, centenas de exames teriam sido realizados pela unidade móvel. No entanto, informações detalhadas sobre a contratação, valores pagos, quantidade de procedimentos executados e origem dos recursos utilizados ainda geram questionamentos entre parlamentares e membros da sociedade civil.
Dívida superior a R$ 1,8 milhão
Outro ponto que chama atenção é uma suposta dívida acumulada pela operação da carreta. Profissionais ligados ao serviço afirmam que atrasos nos pagamentos teriam resultado em um débito superior a R$ 1,8 milhão.
O caso também remete a discussões ocorridas durante a implantação da iniciativa, quando houve resistência por parte da Secretaria de Estado da Saúde em relação ao repasse de recursos, diante da necessidade de adequação de procedimentos administrativos e documentação exigida para a formalização do serviço.
Mesmo diante dos entraves apontados à época, os exames foram realizados, ampliando os questionamentos sobre a forma como a operação foi estruturada e financiada.
Sigilo e embate na Câmara Municipal
As cobranças por esclarecimentos ganharam força na Câmara Municipal de Vilhena. Vereadores da oposição têm solicitado acesso a documentos relacionados aos contratos, atendimentos realizados e demais procedimentos administrativos vinculados à saúde municipal.
Parte dessas informações, porém, estaria protegida por classificações de sigilo, o que tem dificultado o acesso aos documentos e alimentado críticas sobre a transparência da gestão.
O tema gerou momentos de tensão no Legislativo durante sessões recentes. Em um dos episódios, um debate envolvendo pedidos de informações terminou com a interrupção do pronunciamento de um vereador, ampliando a repercussão política do caso.
Novo empenho de R$ 1 milhão gera novos questionamentos
Enquanto as dúvidas sobre a carreta de ressonância permanecem sem respostas públicas detalhadas, um novo empenho emitido pela Prefeitura de Vilhena passou a chamar atenção.
O documento, registrado sob o número 2496/2026, prevê aproximadamente R$ 1 milhão para uma empresa sediada em Porto Velho. A contratação tem gerado questionamentos sobre quais serviços serão executados, quais metas deverão ser cumpridas e quais mecanismos de fiscalização serão adotados para acompanhar a aplicação dos recursos.
Para críticos da administração, a falta de informações detalhadas repete um padrão que tem sido alvo de cobranças constantes por parte da oposição e de segmentos da sociedade.
Expectativa por atuação dos órgãos de controle
Diante do volume de questionamentos envolvendo contratos, empenhos e acesso a informações públicas, cresce a expectativa sobre eventuais medidas dos órgãos de fiscalização e controle.
A principal cobrança gira em torno da divulgação completa dos documentos relacionados às contratações, permitindo que a população tenha acesso aos valores investidos, aos procedimentos realizados e aos resultados alcançados com os recursos públicos destinados à saúde.
Enquanto isso, permanecem sem respostas definitivas perguntas consideradas centrais para o caso: quanto foi efetivamente gasto, quais contratos ampararam as contratações, quem autorizou os procedimentos e quais mecanismos foram utilizados para fiscalizar a execução dos serviços.
Texto: Redação