Leandro Basílio Rodrigues, conhecido nacionalmente como o “Maníaco de Guarulhos”, pode permanecer mais tempo atrás das grades devido ao histórico de infrações disciplinares cometidas durante o cumprimento da pena. Condenado a 161 anos e 3 meses de prisão por seis homicídios qualificados, além de estupros praticados contra algumas vítimas, o detento acumula registros de faltas graves dentro do sistema penitenciário paulista.
Um dos episódios mais graves ocorreu em março de 2019, quando Leandro foi acusado de tentar estuprar a esposa de outro preso durante um dia de visita na Penitenciária Dr. Antônio de Souza Netto, em Sorocaba.
Recentemente, o processo de execução penal voltou a tramitar após a transferência do condenado para uma unidade prisional localizada em Iaras, no interior de São Paulo. Com a mudança, a Justiça determinou a redistribuição dos autos para a vara responsável pela nova penitenciária.
Acusação dentro da cadeia
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela vítima, ela estava visitando o companheiro acompanhada do filho do casal quando Leandro teria chamado o preso para uma conversa no banheiro da cela. Em seguida, pediu que a mulher também entrasse no local.
Segundo o relato, o criminoso teria usado uma suposta acusação envolvendo o casal como forma de intimidação. Ele alegava que uma criança teria visto os dois sem roupas e ameaçava divulgar a informação para outros detentos, o que poderia colocar o preso em risco dentro da unidade.
A visitante afirmou que, aproveitando a situação, Leandro passou a pressioná-la e tentou forçar uma relação sexual. Ela relatou que o condenado a segurou pelos braços e pela cintura, tocou partes íntimas e insistia repetidamente que teria relações com ela.
O companheiro da mulher tentou impedir a ação e se colocou entre os dois. Após momentos de tensão e empurrões, o casal conseguiu deixar o banheiro e pedir ajuda.
Ainda segundo os depoimentos, Leandro teria sugerido que o caso permanecesse em segredo e ameaçado o preso, afirmando que ele poderia ser agredido ou até morto caso não aceitasse suas exigências.
Falta grave pode atrasar benefícios
O procedimento disciplinar instaurado pela direção da penitenciária concluiu que houve prática de fato previsto como crime doloso. Como punição administrativa, Leandro recebeu 30 dias de isolamento e teve sua conduta carcerária considerada prejudicada por 12 meses.
Embora as faltas graves não aumentem a pena determinada pela Justiça, elas podem impactar diretamente a execução penal, atrasando a progressão de regime e outros benefícios previstos em lei.
Quando ele poderá deixar a prisão?
Apesar da soma das condenações ultrapassar 161 anos, a legislação aplicada ao caso considera um limite de cumprimento para fins de cálculo da execução penal. Conforme os registros mais recentes, Leandro já cumpriu mais de 16 anos de prisão, além do período abatido por remição.
A previsão atual aponta que o término da pena, dentro do limite legal considerado pela Justiça, deverá ocorrer apenas em março de 2038. Sem essa limitação, a execução penal se estenderia até junho de 2169.
Considerado um dos criminosos mais violentos da história recente de São Paulo, o Maníaco de Guarulhos continua sendo monitorado pelas autoridades penitenciárias em razão do comportamento registrado dentro do sistema prisional.
Texto: Redação