
A inteligência artificial começa a avançar da fase de experimentação para uma agenda cada vez mais conectada a resultados empresariais. É o que mostra a CFO Survey Q3 2026, realizada pela Grant Thornton: 80% dos CFOs esperam crescimento dos lucros de suas organizações nos próximos 12 meses, e 35% projetam avanço superior a 10% no lucro líquido.
Ao mesmo tempo, a tecnologia ganha espaço na alocação de recursos das companhias. 84% dos executivos afirmam que pretendem aumentar os investimentos em inteligência artificial nos próximos 12 meses, e 65% avaliam a qualidade e o desempenho das soluções adotadas como bons ou excelentes. Os resultados já aparecem, principalmente na operação: 63% dos CFOs apontam aumento de produtividade como um dos benefícios da IA, seguido por melhoria na tomada de decisão, citada por 45%; maior efetividade da força de trabalho, por 44%; e redução de custos, por 41%.
Para Marco Aurélio Neves, sócio-líder de Consultoria da Grant Thornton, os números mostram uma mudança importante na discussão empresarial sobre inteligência artificial. "Após um período marcado por testes e lançamento de novas soluções, as empresas começam a cobrar resultados mais concretos dos investimentos em IA. Produtividade e eficiência já aparecem de forma clara, e o desafio passa a ser incorporar essas soluções aos processos de negócio para ampliar o impacto gerado", afirma.
Retorno avança, mas receita ainda é uma fronteira
A percepção sobre retorno também evoluiu. Quatro em cada dez CFOs afirmam que o ROI dos investimentos em IA superou suas expectativas, enquanto outros 44% dizem que os resultados ficaram dentro do esperado. A geração de receita, porém, ainda aparece em um estágio anterior. Apenas 33% dos respondentes indicam crescimento de receita entre os benefícios já obtidos com IA, diferença relevante em relação aos 63% que identificam ganhos de produtividade.
Segundo o estudo, a próxima etapa tende a depender de uma integração mais profunda da tecnologia aos processos e fluxos de trabalho das organizações, indo além de aplicações pontuais voltadas à produtividade individual. "Existe uma diferença entre usar IA para executar uma tarefa de forma mais rápida e redesenhar um processo inteiro a partir da tecnologia. É nessa segunda etapa que começam a surgir oportunidades maiores de escala, novos modelos de operação e impacto sobre receita", explica Neves.
Execução ganha espaço na agenda dos CFOs
A pesquisa também indica que a capacidade de executar a transformação passa a ser tão relevante quanto o acesso à tecnologia. Embora 84% dos líderes financeiros afirmem que seus processos de transformação estão atendendo ou superando expectativas, prioridades concorrentes e limitações orçamentárias são apontadas por 43% dos respondentes como os principais obstáculos para avançar.
Entre as ações consideradas mais importantes para melhorar a capacidade de transformação estão infraestrutura tecnológica, citada por 40%; melhores dados e analytics, por 35%; talentos mais qualificados, por 34%; e maior disciplina na definição de prioridades, por 33%.
O movimento também amplia a participação da área financeira nessa agenda. A área de finanças e contabilidade aparece como a mais impactada pela IA atualmente, citada por 39% dos CFOs, à frente de atendimento ao cliente, com 36%, cibersegurança, com 30%, e desenvolvimento de produtos, com 29%.
"Não se trata mais apenas de decidir quanto investir em tecnologia. O CFO passa a participar cada vez mais de decisões sobre onde priorizar recursos, quais iniciativas devem avançar e como medir o retorno gerado pela transformação. Esse alinhamento entre tecnologia, estratégia e resultado tende a ganhar ainda mais peso no planejamento das empresas para 2027", conclui Marco.
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