Geral São Paulo
Cinema da USP participa da 50ª Mostra Internacional de São Paulo nesta semana
Entre 26 e 30 de outubro, cinco longa-metragens serão exibidos no Cinusp, na Cidade Universitária, com entrada grátis
25/10/2026 14h49
Por: Redação Fonte: Secom SP

Criada em 1977 pelo cineasta Leon Cakoff para comemorar o aniversário do Museu de Arte de São Paulo (Masp) , a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é um dos principais festivais de cinema do Brasil. Realizada anualmente em diferentes espaços da cidade, sem fins lucrativos, ela apresenta centenas de filmes, documentários e curtas-metragens de dezenas de países. Neste ano, o evento – que teve início no dia 15 passado e se estende até o fim deste mês – celebra sua 50ª edição promovendo a diversidade e as novas tendências da sétima arte. Como parte da programação, o Cinema da USP Paulo Emilio (Cinusp) exibirá cinco sessões da mostra a partir desta segunda-feira (26).

De acordo com Thiago de André, coordenador do Cinusp, o festival é uma forma de conectar a Universidade com o público de fora. “Para o Cinusp, é interessante participar de grandes mostras e festivais da cidade, na medida em que eles, devido a seu histórico de sucesso e boa divulgação, conseguem atrair público externo para conhecer a nossa sala, na Cidade Universitária. E também ajuda a posicionar a USP como um polo cultural da cidade”, afirma o coordenador.

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As sessões do Cinusp

O Cinusp via exibir, ao todo, cinco longa-metragens, sendo quatro deles portugueses e um sueco. Segundo André, a seleção dos filmes ficou a cargo da própria Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. “A decisão levou em conta, entre outras coisas, filmes que poderiam ser exibidos gratuitamente – que não são todos”, relata.

O filme sueco Doggerland (2026) participou do Festival de Berlim — Foto: Divulgação/Cinusp

A única obra não lusófona da mostra, Doggerland (2026), exibida no Festival de Berlim, narra a história de Alf, um homem de quase 40 anos que ainda mora com a mãe controladora na cidade de Norrköping, na Suécia. Pressionado constantemente a arranjar um emprego, Alf finalmente consegue a oportunidade de participar de uma turnê pela Europa com seus números de malabarismo com diabolô – brinquedo circense formado por um carretel de dois cones que é lançado e apanhado no ar. Ao descobrir a novidade, Monica, sua mãe, hesita em deixá-lo partir – talvez mais do que ela mesma se dê conta.

Os outros quatro longas são da retrospectiva do português Paulo Branco, homenageado pela mostra e definido por André como “talvez o maior produtor independente da Europa”. Dois deles, Francisca (1981) e Vou Para Casa (2001), foram dirigidos por Manoel de Oliveira.

“Francisca” (1981) é uma adaptação do romance Fanny Owen, da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís — Foto: Divulgação/Cinusp
“Vou Para Casa” (2001) se passa em Paris, na França, no início dos anos 2000 — Foto: Divulgação/Cinusp

Francisca se passa em 1854 e é uma adaptação do romance Fanny Owen, de Agustina Bessa-Luís. Na trama, a protagonista, a bela Fanny Owen, é seduzida por José Augusto e decide fugir com ele. Em Vou Para Casa, Gilbert Valence, ator de teatro com uma longa carreira, acaba de conseguir o papel de Bérenger I em O Rei Está Morrendo, de Eugène Ionesco, quando recebe a notícia de que sua mulher, filha e genro morreram em um acidente de carro, fazendo com que Valence tenha de dividir seu tempo entre os ensaios para a peça e os cuidados com o neto.

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Já O Barqueiro (2026), de Simão Cayatte, acompanha a história de Joaquim, que sai em liberdade condicional antes de cumprir integralmente sua pena de 16 anos sem contar à família. Ele aceita, então, trabalhar como barqueiro clandestino no rio Tejo, transportando pescadores que extraem vôngoles (uma espécie de molusco) ilegalmente, para cumprir a promessa que fez à filha de lhe comprar um piano.

Filme O Barqueiro (2026), de Simão Cayatte — Foto: Divulgação/Cinusp

A mostra no Cinusp se encerra com Mistérios de Lisboa (2010), do diretor Raúl Ruiz, baseado no romance homônimo de Camilo Castelo Branco. A trama tem como fio condutor o garoto Pedro da Silva, um órfão de 14 anos que constrói sua identidade por meio dos encontros com diversos personagens que cruzam seu caminho, como o padre Dinis, um antigo aristocrata e libertino que se torna justiceiro; uma condessa consumida pelo ciúme e sedenta por vingança; e um pirata sanguinário transformado em próspero homem de negócios. As histórias desses personagens se entrelaçam em uma espécie de colcha de retalhos que atravessa o século 19.

Mistérios de Lisboa (2010) tem 266 minutos de duração — Foto: Divulgação/Cinusp

As obras serão exibidas entre os dias 26 e 30 de outubro, às 19h, com exceção de Mistérios de Lisboa, cuja sessão será às 16h devido à duração do filme, de 4h26min.

Thiago de André espera que a mostra estimule as pessoas a pensar o cinema, se entreter, conhecer novas histórias, personagens, tramas e, a partir disso, buscar outros filmes. “O cinema ainda é uma oportunidade única de entrar sensorialmente em uma outra realidade, confrontá-la durante e depois com a nossa própria realidade e, a partir daí, se tornar uma nova pessoa, um pouco diferente.”

As cinco obras da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo estarão em cartaz de 26 a 30 de outubro no Cinema da USP Paulo Emilio (Cinusp), com sessões de segunda a sexta-feira, às 16h e às 19h, no Centro Cultural Camargo Guarnieri (Rua do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis. A programação completa do evento e mais informações estão disponíveis no site do Cinusp .