No Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá estão instalados laboratórios que formam uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que fomenta a inovação no setor industrial do País.
O Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (Cvacba), o Laboratório de Óleos da Amazônia (Loa) e o Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, Automação e Eletrônica, o Lasse, da Universidade Federal do Pará (UFPA), são residentes do PCT Guamá e atuam na Unidade Embrapii UFPA Bioeconomia, em Belém.
A infraestrutura tecnológica e a capacidade humana dos laboratórios residentes do PCT contribuíram para o credenciamento da unidade, destaca João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá, gestora do Parque. “A Embrapii é uma ação estratégica do governo federal para o fomento, inovação, integrando laboratórios que fazem entregas para empresas. Quando a gente tem no PCT laboratórios que fazem parte de uma unidade, é um excelente selo, tanto quanto, por exemplo, nós termos laboratórios que lideram projetos nacionais”, afirma.
O coordenador da unidade, Hervé Rogez, explica que, na prática, as empresas passam a contar com o co-financiamento de projetos em parceria com o governo federal. “Isso é importante porque a função dos laboratórios do parque, ao contrário dos laboratórios que estão dentro de uma universidade, é que eles têm que inovar, a gente espera que esses laboratórios interajam com o setor privado”, afirma.
A unidade atua no desenvolvimento sustentável da fruticultura na Amazônia, a partir de demandas do setor privado centradas nas cadeias produtivas. As iniciativas contemplam desde ações voltadas aos agricultores até inovações em processos industriais e produtos para o aproveitamento integral de frutas amazônicas, da polpa aos resíduos.
Transformação de ideias em casos de sucesso
No PCT Guamá, os laboratórios da Embrapii UFPA Bioeconomia, conectam ciência e mercado por meio de projetos financiados com recursos não reembolsáveis, priorizando iniciativas que conciliam viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. Segundo Hervé Rogez, há cadeias produtivas, que já envolvem mais de cem trabalhadores. O fortalecimento dessas atividades pode contribuir para a consolidação de negócios.
Outro diferencial é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de tecnologias desde as etapas iniciais até a preparação para a entrada no mercado. Esse processo considera os níveis de maturidade tecnológica, conhecidos pela sigla TRL (Technology Readiness Level). Na unidade, os projetos podem avançar do TRL 2 ao TRL 5, passando da concepção de ideias à validação de soluções. “A unidade Embrapii representa ter um trabalho concreto, palpável de transformação de ideias em casos de sucesso que vão entrar no mercado”, afirma Hervé.
Em dois anos de operação no PCT Guamá, a unidade reúne projetos voltados à agregação de valor econômico e socioambiental. Uma das iniciativas, por exemplo, busca promover o tratamento e a valorização de resíduos, gerando benefícios para as famílias que abastecem a indústria.
“Nós temos uma empresa que busca identificar de forma rápida a qualidade de frutos em relação ao teor em compostos bioativos. Na laranja a gente sabe que a vitamina C flutua bastante, em todas as frutas você tem essas flutuações. Para uma empresa é um desafio fazer um produto relativamente padronizado se ela não souber antes de despolpar, de processar, qual o teor em compostos bioativos dessas frutas, então a gente desenvolveu um sistema rápido para fazer isso”, explica Hervé.
Outro exemplo é um projeto voltado à gestão de resíduos, com o desenvolvimento de um sistema de rastreabilidade capaz de acompanhar, em tempo real, o percurso do campo até a indústria. A solução busca superar desafios logísticos e de conectividade em localidades da Amazônia. “A gente conseguiu desenvolver um sistema que permite garantir de ponta a ponta o trajeto e os horários principais até chegar à fábrica”, detalha Hervé.
Equipe técnica qualificada
A equipe da unidade é composta por 35 pesquisadores, a maioria vinculada aos laboratórios do Parque. O grupo também reúne colaboradores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e de instituições parceiras.
“A Embrapii não impõe trabalhar com a equipe que foi credenciada quando a unidade nasceu. Se eu recebo uma demanda compatível com as competências da unidade, mas um professor não é membro e vai ser chave para entregar a inovação, ele vai ser inserido na equipe”, reforça o coordenador.
A infraestrutura dos laboratórios instalados no PCT Guamá conta com tecnologias de ponta para análises. Para Leonardo Ramalho, pesquisador do Lasse, a participação em projetos vinculados à unidade representa uma oportunidade para o laboratório, pela possibilidade de captar recursos destinados ao desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Os recursos disponibilizados, somados às contrapartidas das empresas, ampliam a capacidade financeira das iniciativas.
“Um exemplo dessa parceria é um projeto que busca desenvolver equipamentos de baixo custo para avaliar a qualidade de óleos extraídos de frutos amazônicos, especialmente aqueles produzidos por comunidades locais. O objetivo é disponibilizar tecnologias acessíveis que permitam aos próprios produtores avaliar a qualidade de seus produtos”, compartilha o pesquisador.
O grupo de pesquisadores possui vasta experiência na colaboração com a indústria, especialmente nos setores de mineração, energia e agroindústria, atendendo a demandas variadas. Luiz Adriano, pesquisador do Loa, destaca a relevância da proximidade com o setor privado por meio da unidade.
“É mais oportunidade de negócios, de desenvolvimento de novos produtos dentro da Amazônia, a gente utiliza nossa expertise, conhecimento científico, técnico para novos projetos”, disse.
Conexões na região Norte
No Pará, a Embrapii credenciou a UFPA com a Unidade Bioeconomia, em Belém, que reúne laboratórios residentes do PCT Guamá, com investimento de R$ 9,6 milhões. Outra unidade credenciada é a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém. A atuação dessas estruturas amplia as oportunidades de parceria entre instituições de pesquisa e o setor produtivo.
Hervé destaca que as unidades da Embrapii na região Norte possuem competências complementares, com presença também em Manaus e em Palmas, no Tocantins. Segundo ele, unidades de outras regiões do país já atendem empresas do Norte por terem iniciado suas atividades anteriormente. No entanto, a expectativa é que esse cenário se modifique gradualmente, ampliando o número de empresas da região atendidas pelas unidades locais.
Em operação no ecossistema do PCT Guamá desde junho de 2024, a unidade tem metas a cumprir até julho de 2027, além de passar por avaliações. “Quem faz as avaliações são as empresas, quando elas recebem as entregas podem preencher um formulário de satisfação, se alcançamos o que elas estavam esperando. Somos muito bem avaliados pelo setor e isso é muito importante”, afirma Hervé.
Texto: Ascom PCT Guamá