
A despedida de um animal de estimação tem ganhado novos significados para as famílias brasileiras. Velórios, homenagens personalizadas, cremação com devolução das cinzas e até sepultamento em jazigos familiares estão entre as alternativas disponíveis para quem deseja marcar o fim da convivência com cães e gatos. A transformação acompanha o fortalecimento do conceito de famílias multiespécie, nas quais os animais ocupam um lugar importante nos vínculos afetivos e na rotina doméstica.
"Os animais de estimação fazem parte da história das famílias e, para muitos tutores, a despedida representa um momento de grande impacto emocional. Nosso papel é oferecer alternativas que respeitem esse vínculo, com acolhimento, dignidade e opções adequadas às diferentes necessidades de cada família", afirma Geraldo Sobrinho, gerente no Cemitério Pet Bosque das Águas Claras, do Grupo Zelo.
A dimensão desse vínculo também aparece nos números. O Brasil reúne mais de 150 milhões de animais de estimação, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). No Grupo Zelo, o volume de cremações de pets nos nove primeiros meses de 2026 foi 15% maior que o registrado em todo o ano de 2025. A empresa também contabiliza mais de 200 mil planos de assistência familiar com animais cadastrados como dependentes em todo o país.
As mudanças nos rituais de despedida envolvem aspectos emocionais, culturais e práticos. Entre as alternativas disponíveis estão cerimônias presenciais ou virtuais, diferentes modalidades de cremação e sepultamento, recordações personalizadas e serviços de assistência. Essas opções refletem a diversidade de formas de lidar com a perda e de preservar a memória dos animais de estimação.
Os rituais de despedida podem ajudar os tutores a reconhecer a importância do vínculo e a expressar sentimentos relacionados à perda. Embora o luto por animais ainda possa ser pouco compreendido em determinados contextos sociais, a ausência de um companheiro que participou da rotina familiar pode provocar sofrimento significativo. Em algumas situações, o apoio psicológico pode contribuir para lidar com a perda e reorganizar o cotidiano.
A legislação também acompanha transformações na relação entre pessoas e animais. Em São Paulo, a chamada Lei Bob Coveiro abriu caminho para a regulamentação do sepultamento de animais domésticos em jazigos familiares no estado, respeitadas as normas sanitárias e ambientais aplicáveis. Para algumas famílias, a possibilidade representa uma maneira de preservar simbolicamente a proximidade com o animal após a morte.
As estruturas dos cemitérios especializados também apresentam alternativas de sepultamento. No Cemitério Pet Bosque das Águas Claras, em Nova Lima (MG), do Grupo Zelo, os animais são sepultados em estruturas verticais, em jazigos individuais. O local informa adotar práticas de gestão de resíduos e gases e utilizar urnas de madeira ou materiais biodegradáveis com sistemas de impermeabilização.
A tecnologia ampliou as possibilidades de participação nas cerimônias. Em serviços que oferecem velórios virtuais, familiares e pessoas próximas podem acompanhar a despedida em tempo real, por meio de links restritos, mesmo quando estão em outras cidades ou não conseguem comparecer presencialmente.
As homenagens também podem incluir lembranças físicas, como moldes das patas, mechas de pelos e urnas para acondicionamento das cinzas. Há modelos fabricados em materiais como madeira, MDF, aço inoxidável, cerâmica e fibras orgânicas, com opções que variam conforme a finalidade e as preferências dos tutores. Algumas urnas biodegradáveis são destinadas a propostas de memorial associadas ao plantio de árvores.
A cremação pode ser individual, compartilhada ou coletiva, conforme a modalidade contratada. A escolha influencia as possibilidades de destinação das cinzas e deve considerar as condições oferecidas pelo prestador do serviço. Nos cemitérios especializados, também pode haver opções de locação temporária ou aquisição de jazigos perpétuos. No Bosque das Águas Claras, segundo o Grupo Zelo, os jazigos perpétuos podem comportar de três a cinco animais da mesma família, dependendo do porte. A reutilização dos espaços segue procedimentos específicos e deve respeitar os prazos e as condições sanitárias aplicáveis.
Outra possibilidade é a inclusão de animais de estimação em planos de assistência. O Grupo Zelo permite cadastrar pets como dependentes em planos funerários familiares, conforme as condições de cobertura contratadas, além de oferecer alternativas específicas para animais. A contratação antecipada pode facilitar a organização dos serviços necessários e reduzir a quantidade de decisões práticas a serem tomadas durante o período de luto.
As diferentes modalidades de despedida mostram como os serviços voltados aos animais de estimação vêm incorporando novas demandas das famílias. Além das questões operacionais, o reconhecimento do impacto emocional da perda reforça a importância de abordagens pautadas pelo respeito, pelo acolhimento e pela compreensão dos vínculos construídos ao longo da convivência.
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