Política INVESTIGAÇÃO DA PF
PF encontra sala secreta para guardar dinheiro em hangar de advogado ligado a Flávio Bolsonaro
Compartimento localizado no Aeroporto Internacional de Brasília tinha porta metálica reforçada, máquina de contar cédulas e malas para transporte de valores; investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras envolvendo o empresário Willer Tomaz.
21/10/2026 23h05
Por: Redação Fonte: Portal Vermelho⁠, reportagem de Davi Dmolir, publicada em 21 de outubro de 2026. Informações complementares: Folha de S.Paulo, IstoÉ e CNN Brasil.
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A Polícia Federal (PF) identificou uma sala reservada, com estrutura destinada à guarda e à movimentação de dinheiro em espécie, no interior de um hangar utilizado por empresas do advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A descoberta ocorreu no Aeroporto Internacional de Brasília, no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de crimes financeiros e ocultação patrimonial.

Segundo informações divulgadas pelo portal Vermelho, em reportagem assinada pelo jornalista Davi Dmolir, os investigadores localizaram um compartimento protegido por uma estrutura metálica reforçada, equipado com máquina de contar cédulas, malas para transporte de valores e divisórias internas.

O local foi identificado após uma primeira diligência policial nos hangares 36 e 37 do aeroporto. Posteriormente, os agentes receberam informações sobre a existência de um espaço oculto e retornaram para realizar uma nova inspeção. Durante a operação, também foram apreendidas quatro aeronaves executivas, além de documentos, registros de voo e listas de passageiros.

Apesar da estrutura encontrada, não houve apreensão de dinheiro em espécie no compartimento, conforme informações publicadas pela Folha de S.Paulo e pela IstoÉ. A Polícia Federal busca esclarecer a finalidade e a eventual utilização anterior do ambiente.

Investigação alcança relações financeiras com senador

As apurações também examinam possíveis vínculos financeiros entre Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro.

De acordo com as informações publicadas, relatórios da Polícia Federal apontam que o parlamentar teria figurado como usuário com privilégios elevados de acesso a uma conta bancária relacionada à Alcazar Holdings, empresa offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

A investigação procura identificar se existia participação econômica ou societária não declarada e se determinadas movimentações financeiras poderiam estar relacionadas a práticas de lavagem de dinheiro ou dissimulação patrimonial.

O inquérito que examina as relações financeiras entre o senador e o advogado tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Trata-se de investigação distinta da diligência originalmente realizada nos hangares.

Movimentações milionárias em plataformas de apostas

Outro ponto investigado envolve operações financeiras realizadas por Willer Tomaz no setor de apostas eletrônicas.

Segundo a reportagem do portal Vermelho, com referência a informações atribuídas ao Ministério da Fazenda, o advogado teria movimentado aproximadamente R$ 258 milhões em depósitos fracionados em uma plataforma de apostas durante 2025.

Os investigadores buscam esclarecer a origem e a destinação desses recursos e verificar se as movimentações possuem relação com eventuais mecanismos de ocultação de patrimônio ou lavagem de capitais.

A existência de movimentações financeiras de grande valor, entretanto, não comprova, isoladamente, a prática de crimes.

Defesa contesta suspeitas

Em manifestação divulgada pela imprensa, Willer Tomaz negou irregularidades e afirmou que a estrutura encontrada no aeroporto era utilizada para atender empresas que prestam serviços de transporte de valores.

Flávio Bolsonaro também nega participação em atividades financeiras ilícitas e sustenta que sua relação com o advogado é de amizade, sem sociedade irregular.

As investigações continuam, e a responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá da análise das provas e das conclusões das autoridades competentes, observadas as garantias constitucionais do devido processo legal e da presunção de inocência.