Geral CONHECIMENTO
Empresas do PCT Guamá aprovam projetos em chamada de inovação da Finep
Iniciativas desenvolvidas no Parque de Ciência e Tecnologia propõem soluções em energia renovável, bioeconomia e biotecnologia
16/10/2026 15h04
Por: Rodrigo Moraes Fonte: Secom Pará

Projetos desenvolvidos por empresas instaladas no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, foram aprovados na chamada pública Finep Mais Inovação Brasil, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

As propostas das startups paraenses AmazonTech e MGS Engenharia, e da empresa Denpasa Tecnologia, residentes do Ambiente de Inovação do governo do Estado, reforçam a importância da integração entre os participantes do PCT e evidenciam o potencial das parcerias para transformar conhecimento em soluções, e gerar oportunidades.

O projeto da Amazon Tech conta com a parceria da Fundação Guamá, instituição que administra o PCT Guamá, e do Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação (iSACI), também residente do Parque. “Isso demonstra que o nosso ambiente de inovação é favorável à interação e ao desenvolvimento tecnológico colaborativo. Aqui, nosso intuito é fortalecer o ecossistema paraense”, explica João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá.

O PCT Guamá, onde a Finep mantém instalado seu Escritório Regional Norte, contribui estrategicamente ao oferecer um ambiente de conexão e infraestrutura que potencializa a participação das empresas em editais de fomento à inovação. “As empresas aprovadas são exemplos de empreendimentos que conseguiram aproveitar essas condições para avançar com seus projetos estratégicos de inovação”, afirmou Rodrigo Lima, gerente regional Norte da instituição.

Energia limpa para localidades isoladas

O projeto aprovado da AmazonTech foi o Amazon Smart Grid, uma microrrede híbrida capaz de integrar a geração solar fotovoltaica e diferentes tecnologias de armazenamento de energia, combinando baterias de íons de sódio e supercapacitores.

“O projeto parte de um desafio da região: garantir fornecimento de energia em localidades isoladas, onde a infraestrutura convencional é limitada e a geração baseada em combustíveis fósseis ainda representa uma alternativa. Vimos a necessidade de criar uma alternativa sustentável e confiável”, explicaram Alex Guedes, Elionai Sobrinho e Ronaldo Santos, CEOs da Amazon Tech.

Equipe da Amazon Tech: energia para comunidades isoladas

O projeto pretende operar de maneira autônoma e sustentável, utilizando a energia solar como fonte de geração e um sistema híbrido de armazenamento. “Na prática, a combinação das tecnologias permite que cada dispositivo seja utilizado de acordo com sua característica. As baterias podem assumir o armazenamento de energia por períodos mais longos, enquanto os supercapacitores respondem rapidamente às variações de potência”, destacaram os empreendedores.

O cronograma prevê que o protótipo esteja em operação dentro de dois ou três anos, após as fases de testes e validação.

A iniciativa envolve também uma camada de controle, monitoramento e gerenciamento da energia. A proposta reúne competências relacionadas à eletrônica, à Inteligência Artificial e à conectividade, permitindo monitorar o sistema e coordenar a operação de seus diferentes componentes.

“Com o apoio dos pesquisadores e laboratórios, instalados no PCT Guamá, conseguimos garantir que a solução seja robusta e segura para uso em larga escala. O projeto prevê desenvolvimento de tecnologia de ponta, adaptada às condições regionais, com vantagens significativas sobre soluções já existentes”, informaram os coordenadores do projeto.

A iniciativa está alinhada aos desafios da transição energética brasileira, ao buscar ampliar o uso de fontes renováveis na geração de eletricidade.

Alternativa energética para indústria

O Projeto Açaí Carbon, da empresa Engenharia, propõe a transformação de resíduos do açaí em uma alternativa energética para a indústria. A proposta é desenvolver um briquete, combustível sólido produzido a partir do caroço de açaí, para utilização em fornos siderúrgicos. “É uma biomassa, um biocombustível sólido, mas o projeto vai chegar até a carbonização, quando ele se torna um carvão vegetal. O projeto tem duas etapas”, explicou Sandro Leite, gestor operacional do trabalho.

Equipe MGS Açaí Carbon: energia com resíduos do açaí

O principal desafio tecnológico do projeto é garantir que o briquete mantenha sua integridade estrutural após o processo de carbonização. Entre os resultados esperados estão o desenvolvimento de um produto com poder calorífico médio de 4.500 kcal/kg, balanço carbônico neutro verificável e processo de produção documentado, com potencial de proteção por patente. A proposta pretende viabilizar a substituição parcial do carvão vegetal de origem florestal e do coque mineral utilizados na siderurgia.

O desenvolvimento da solução reunirá parcerias com o Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia (Ceamazon), também residente no PCT Guamá, e com o Laboratório de Biomassa Energética da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), por meio do Laboratório de Tecnologia de Produtos Florestais, que também participará do projeto. A Fundação Guamá participa com apoio institucional, gestão dos recursos, articulação com o ecossistema de inovação do Parque e medidas relacionadas à proteção dos ativos tecnológicos.

Clonagem de palma de óleo

A outra proposta aprovada foi apresentada pela empresa Denpasa Tecnologia, que busca ampliar a clonagem de palma de óleo tolerante ao Amarelecimento Fatal (AF), doença que representa um desafio fitossanitário para a cultura.

Denpasa: clonagem para uma palma de óleo mais resistente

A iniciativa pretende consolidar uma plataforma biotecnológica integrada para multiplicar, em larga escala, plantas com características genéticas superiores, contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva da palma de óleo na Amazônia Legal.

Atualmente, a Denpasa Tecnologia possui híbridos de elite tolerantes ao AF, mas a multiplicação desses materiais em larga escala é inviável pelos métodos convencionais. Para superar essa limitação, o projeto reúne diferentes técnicas biotecnológicas, como suspensões celulares embriogênicas e regeneração automatizada.

A proposta prevê elevar o nível de maturidade tecnológica, conhecido como TRL, dos processos envolvidos, avançando do atual TRL 3 para até o TRL 7, etapa que contempla a validação da tecnologia em ambiente operacional.

“Com isso, o projeto busca produzir mudas de qualidade, com características mais uniformes e maior segurança genética, além de reduzir os riscos de doenças que podem comprometer o cultivo. Nosso objetivo é oferecer alternativas que contribuam para uma produção de palma de óleo mais segura e eficiente”, destacou Tácila Rayene Marinho Dutra, pesquisadora do projeto.

Recursos da Finep

A chamada da Finep prevê recursos não reembolsáveis para apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A iniciativa busca estimular o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores com risco tecnológico, em projetos com níveis de maturidade tecnológica (TRL) entre 3 e 9. Os recursos estão distribuídos entre as regiões, com R$ 50 milhões destinados ao Norte.

Texto: Ascom / PCT Guamá