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HoLEP alia recuperação e resultados de longo prazo
Especialista explica que a técnica com laser utilizada no tratamento da próstata aumentada (Hiperplasia Prostática Benigna) pode reduzir sangramentos e tempo de internação, além de apresentar resultados duradouros quando corretamente indicada.
13/10/2026 10h03
Por: Rodrigo Moraes Fonte: Agência Dino

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é caracterizada pelo crescimento não canceroso da próstata e pode comprimir a uretra (canal por onde passa a urina), dificultando a passagem e o esvaziamento da bexiga. Jato urinário mais fraco, demora para começar a urinar, sensação de esvaziamento incompleto, urgência para urinar e necessidade de levantar-se várias vezes durante a noite estão entre as manifestações possíveis.

Quando os medicamentos não conseguem controlar adequadamente os sintomas ou quando surgem complicações (como retenção urinária, infecções, cálculos na bexiga ou comprometimento dos rins), o tratamento cirúrgico deve ser considerado.

Entre as opções disponíveis está o HoLEP, sigla em inglês para enucleação da próstata com laser de Holmium. Realizado pelo canal da uretra, sem cortes externos, o procedimento separa e remove a parte interna da próstata responsável pela obstrução. Durante a cirurgia, o paciente está anestesiado, para maior segurança e conforto.

"O HoLEP permite remover de maneira ampla o tecido prostático que está obstruindo a passagem da urina. Isso favorece uma melhora do fluxo urinário e contribui para a durabilidade do resultado, desde que exista indicação adequada", explica o Dr. Ricardo Haidar, urologista, CRM-SP 156.529 e RQE 86.409.

Menor sangramento pode favorecer a recuperação

O especialista explica que a ressecção transuretral da próstata, conhecida como RTU ou "raspagem", permanece uma alternativa consolidada para o tratamento cirúrgico da obstrução prostática. No HoLEP, entretanto, a ação do laser permite realizar o corte do tecido e a coagulação dos vasos durante o procedimento e de forma mais eficaz.

As diretrizes da European Association of Urology apontam que estudos comparativos encontraram menor perda de sangue, menos transfusões e períodos mais curtos de sondagem e internação com o HoLEP em relação à RTU monopolar. Em determinadas comparações com a RTU bipolar, também foi observado menor risco de hemorragia e menor tempo de internação.

Contudo, essas características podem favorecer a recuperação inicial, mas não significam ausência de riscos. Sangramento, infecção urinária, dificuldade temporária para controlar a urina, estreitamento da uretra e ejaculação retrógrada estão entre os eventos que precisam ser discutidos antes da cirurgia.

Remoção do tecido obstrutivo favorece a durabilidade

Segundo o médico, a próstata pode continuar crescendo com o passar do tempo. Entretanto, diferentemente de técnicas que retiram apenas parte do tecido responsável pela obstrução, o HoLEP procura enuclear de forma ampla o adenoma prostático, separando-o da cápsula da glândula.

Essa remoção mais abrangente ajuda a explicar a longa durabilidade observada após o procedimento e a menor necessidade de novas intervenções em alguns estudos comparativos. Isso não significa que a próstata seja retirada por completo. Ainda assim, é raríssimo que o paciente precise voltar a usar medicações ou mesmo operar novamente por conta do crescimento contínuo.

Um estudo publicado no Journal of Endourology acompanhou pacientes durante cinco anos e constatou que as melhoras no fluxo urinário, no esvaziamento da bexiga, nos sintomas e na qualidade de vida permaneciam evidentes ao final do período.

"Durabilidade não deve ser confundida com promessa de resultado definitivo. O acompanhamento urológico continua necessário, porque o paciente permanece sujeito ao envelhecimento da próstata e da bexiga, que também pode afetar a qualidade da micção", afirma o especialista.

A escolha entre HoLEP, RTU, cirurgia robótica e outras formas de tratamento da hiperplasia prostática benigna dependem do tamanho da próstata, da intensidade dos sintomas, das condições clínicas, dos medicamentos utilizados e da experiência da equipe com cada técnica.