A mobilização em Porto Velho integrou a onda de manifestações que se espalha pelo país em defesa da reeleição do presidente Lula. A organização dos atos conta com a participação de jovens ligados a fandoms, comunidades de fãs de artistas, bandas e personalidades que também se mobilizam em pautas políticas e sociais.
Estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir), professores, ativistas e representantes de movimentos sociais ocuparam as ruas de Porto Velho neste domingo (11), durante a Marcha pela Democracia. A manifestação reuniu pessoas em defesa da educação pública, da saúde e das políticas sociais, além de expressar preocupação com possíveis cortes de recursos e seus impactos sobre os serviços públicos.
A concentração começou às 16h, na Praça das Três Caixas D’Água. Com predominância das cores vermelha e branca, os manifestantes percorreram as avenidas Carlos Gomes, Presidente Dutra e Percival Farquar, retornando ao ponto de partida. Cartazes, discursos e palavras de ordem marcaram o ato, que teve como uma de suas principais mensagens a defesa do direito à educação. “Trabalhador, olha pra cá: eu tô na rua pro seu filho estudar!”, entoaram os participantes durante a caminhada.
A mobilização foi impulsionada por partidos políticos e organizações da sociedade civil alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de estudantes que convocaram a população para participar dos atos. Entre as principais preocupações manifestadas estavam as possíveis consequências de medidas de redução de recursos para a educação, a saúde e outras políticas públicas, atribuídas pelos participantes às propostas do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Um estudante do curso de Letras da Unir, que preferiu não se identificar, afirmou que a manifestação expressava a preocupação com a continuidade dos direitos sociais e com o futuro dos serviços públicos. “Estamos vivendo novamente um momento de incerteza, em que temos apenas um candidato ao lado dos direitos do povo. Infelizmente, não podemos contar com Flávio Bolsonaro, que já ameaça retirar direitos que garantem nossa sobrevivência neste país.
A ameaça de cortes envolve cerca de R$ 300 bilhões. De onde sairá esse dinheiro? Obviamente, da saúde, da educação e das políticas públicas”, declarou.
O estudante também criticou o que considera riscos de retrocesso social diante das propostas atribuídas ao candidato. “Entregar nosso país a um homem que faz esse tipo de declaração contra uma população que, há pouco tempo, vivia à margem da pobreza não é razoável. Quem acredita que essas medidas farão bem ao nosso país e ao seu povo está fora de si”, afirmou.
Professores e ativistas defendem direitos sociais
Entre os participantes estava a professora doutora da Unir Reny Gomes Maldonado, que compareceu acompanhada de familiares e amigos. Ela destacou que sua presença estava relacionada à defesa dos direitos dos servidores e da educação pública. “Estou aqui com minha família, irmão, sobrinha, o namorado dela e amigos. Vim para defender meu direito como servidora. Vim para defender a educação pública”, declarou.
A defesa dos povos indígenas e do meio ambiente também esteve entre as pautas da manifestação. A ativista indigenista Neide Cardozo, coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, ressaltou a importância da proteção dos territórios indígenas e do fortalecimento das políticas públicas. “Estamos aqui pelos povos indígenas deste estado, pelo meio ambiente, pelo estudante, pelas políticas públicas, saúde e educação”, afirmou.
Durante os discursos, manifestantes também expressaram preocupação com possíveis retrocessos sociais e ambientais. As falas incluíram críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente em relação às políticas de financiamento e manutenção dos serviços públicos.
“Eu tô na rua pro seu filho estudar”: estudantes da Unir marcam marcha em Porto Velho
A manifestação em Porto Velho integrou uma mobilização que alcançou diferentes cidades brasileiras, com atos em locais como Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Manaus, Acre e São Paulo. Segundo relatos sobre a organização dos protestos, movimentos sociais e comunidades de fãs de artistas da música pop, conhecidas como fandoms, também participaram da articulação de manifestações em defesa da democracia.
Entre os grupos mobilizados estavam admiradores de artistas como Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift, que se somaram às mobilizações em defesa dos direitos sociais e das instituições democráticas.
Em Rondônia, estudantes de diferentes cursos da Unir participaram da marcha para defender a universidade pública e reivindicar condições adequadas de ensino. A mobilização também buscou dar visibilidade aos colegas que não puderam comparecer.“Estamos aqui pela Unir e representando todos os colegas que também não puderam comparecer. Quem esteve presente veio com amor ao estudo, com respeito às classes. Estamos aqui pelo direito de estudar com qualidade”, afirmou o estudante do curso de Letra-Espanhol, Juciel Karitiana.
O participante também manifestou preocupação com o cenário político de Rondônia e com as propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro. Em sua avaliação, a mobilização representa uma forma de resistência diante do receio de que direitos e políticas públicas sejam reduzidos.
Marcha termina sem confrontos
A caminhada terminou na Praça das Três Caixas D’Água. Durante o percurso, não foram registrados confrontos com apoiadores do bolsonarismo, conforme o relato da cobertura do ato. Também não foi observada presença ostensiva da Polícia Militar ao longo da manifestação.
Segundo a ONG Kanindé, a estimativa preliminar é de que cerca de 4 mil pessoas tenham participado da Marcha pela Democracia em Porto Velho. O número foi atribuído à organização e ainda não representa uma contagem independente confirmada.
A mobilização reuniu estudantes, professores, pessoas ligadas a cultura, ativistas e representantes de movimentos sociais em defesa da educação pública, da saúde, dos povos indígenas, do meio ambiente e da continuidade das políticas sociais. Para os participantes, a marcha representou uma demonstração de engajamento popular diante das disputas políticas e das preocupações com o futuro dos serviços públicos no país.
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