Uma grave crise administrativa e financeira atinge o Hospital Regional de Guajará-Mirim, resultando no anúncio de uma paralisação parcial das atividades a partir da próxima segunda-feira, dia 1º de junho. O movimento é motivado pelo atraso crônico no pagamento dos salários dos profissionais terceirizados que atuam na unidade, gerando um clima de forte tensão entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Segundo relatos do corpo clínico, os atrasos já se acumulam há meses. Enquanto os médicos receberam alertas de que haverá atrasos nos vencimentos do mês corrente, a situação de enfermeiros e técnicos é ainda mais crítica, somando cerca de dois meses de repasses atrasados. Diante do impasse, a categoria decidiu suspender as atividades regulares, garantindo que apenas os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos durante a mobilização.
Empresa Gestora Admite Colapso Financeiro
Em comunicado interno direcionado aos colaboradores, a empresa Mediall Brasil, responsável pela gestão do hospital, reconheceu publicamente as dificuldades financeiras. O documento é assinado por Pedro Henrique (diretor operacional interino) e Lucieldo Silva (diretor geral).
Na nota, a direção da terceirizada atribui o problema diretamente a atrasos e retenções de recursos por parte da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU). A empresa revela que:
O capital de giro e as reservas financeiras foram totalmente consumidos para cobrir repasses pendentes desde agosto do ano passado.
Em fevereiro deste ano, a saúde financeira da administradora "colapsou", inviabilizando o cumprimento pontual das obrigações trabalhistas.
A Mediall Brasil afirma estar cobrando ativamente a SESAU para a liberação das verbas necessárias para regularizar a situação "o mais breve possível".
Contradições com o Governo do Estado
O posicionamento da empresa gestora expõe uma clara contradição com as declarações oficiais do Governo de Rondônia. No último dia 15 de maio, a SESAU havia negado publicamente a existência de qualquer atraso nos pagamentos.
Na ocasião, a secretaria informou por meio de nota oficial que a nota fiscal do contrato de gestão do Hospital Regional estava "em fase regular de tramitação administrativa para processamento e pagamento", seguindo o cronograma previsto. A pasta também havia assegurado que os fluxos de atendimento e as metas contratuais seguiam normais, sem qualquer interrupção dos serviços prestados à população.
Menos de um mês após o pronunciamento do Estado, a confirmação do colapso financeiro por parte da Mediall Brasil joga luz sobre a gravidade da crise administrativa na unidade de saúde, deixando a comunidade e os trabalhadores em estado de alerta para o início da paralisação.
Texto: Redação